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Reitoria

A ESAM tem uma pré-história e uma história*

“Começarei da última fase da história em que a minha escola foi comandada por Marcelo Pedrosa e Josivan Barbosa, diretores competentes e apaixonados pela ESAM, que balizaram os caminhos que levaram a ESAM até a UFERSA, organizando os projetos e procurando o apoio político para a sua tramitação.

Sandra Rosado, a guerreira ímpar que esteve presente e com a valentia de uma outra Ana Floriano, vencendo etapas e contornando dificuldades.

Fátima Bezerra, valorosa combatente pelo nossos ideais.

Henrique Alves, que teve atuação durante o tempo em que o projeto esteve em sua comissão de trabalho.

Os senadores motivados por Sandra e Fátima que fizeram um show de competência ao aprovar o projeto de transformação em tempo recorde.

Betinho, que teve um gesto de grandeza ao retirar o seu recurso contra a aprovação do projeto que vinha de Sandra e Fátima.

João Batista Cascudo Rodrigues, o guerreiro maior da saga universitária mossoroense, aquele que redigiu o decreto que o prefeito Raimundo Soares de Sousa assinaria sobre a criação da ESAM e depois, quando altos funcionários da casa civil deram um parecer contrário à transformação da ESAM.

Três dos assessores e um deles o autor do pronunciamento da casa civil, que feria de morte o nosso sonho, Cascudo convenceu aos ex-alunos que o parecer negativo era inteiramente injusto.

Tantas vezes recorri às suas luzes ao longo da história da ESAM, por exemplo na redação da portaria que criava o Museu da Memória da ESAM.

Agora volto a pré-história: eu era aluno da Escola Superior de Agricultura de Lavras e em 1941 cursava o seu primeiro ano.

As aulas de matemática eram proferidas com entusiasmo e vibração por um professor de bata branca chamado Fergo, ou Antônio Fernando Camargo.

A sala de aula ficava no pavimento térreo do edifício Álvaro Botelho, hoje, sede do Museu Bi Moreira.

Sentava-me numa cadeira colocada ao lado de uma janela para ouvir as aulas de Fergo sobre cálculo integral e diferencial e trigonometria esférica e comecei a sonhar.

Sonhava e pensava se um dia eu teria forças para fundar em Mossoró uma escola à imagem e semelhança da gloriosa ESAL, a escola materialmente pobre naquele tempo mas que dera ao Brasil técnicos e cientistas da grandeza de um Benedito Paiva, de um Guimarães Duque, de um Edgar Dantas, de um Cristóvão Dantas.

O pensamento voava por cima do edifício Odilon Braga, varava as montanhas mineiras e pousava no chão sagrado de Mossoró.

O sonho parecia um delírio, graduado em 1944, no ano seguinte voltava a Mossoró e comecei a procurar os pioneiros do ensino agronômico no Rio Grande do Norte.

E lá vinha o suíço João Ulrich Graf, cujo prospecto defendendo a construção da estrada de ferro de Mossoró ao São Francisco e prometendo uma escola de agricultura para 50 alunos nos idos de 1876.

Depois Tércio Rosado Maia, ministrando no Santa Luzia cursos práticos e teóricos de agricultura e ainda os intendentes Francisco Izódio de Souza, Francisco Vicente Cunha da Mota e Antonio Martins de Miranda criando um aprendizado prático de agricultura e ainda Alípio Bandeira, soldado de Rondon, defendendo a criação de um centro agrícola no rio Upanema.

O sonho do aluno da ESAL continuava em novas projeções.

Em 1964 pedi ao reitor Onofre Lopes que criasse em Mossoró vinculada a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, uma escola de agronomia voltada para a lavoura seca.

Pedi a Dix-huit e Vingt que reforçassem este pleito junto a Onofre e ainda pedi o apoio aos deputados Manoel Avelino, Francisco Revoredo e José Rocha.

Esses pleitos datavam de 25 de novembro de 1964.

Em 19 de janeiro de 1965 pedi a Guimarães Duque que defendesse junto a Sudene a criação em Mossoró de uma escola de agronomia voltada para o semi-árido e o convidava para diretor da escola que estava apenas nos meus sonhos.

No dia 02 da história da ESAM, isto é, 22 de abril de 1967, dirigia uma carta convidando Paulo Guerra para diretor da nova escola e terminando a carta, redigi:

“Até agora a Faculdade, que está completando o seu segundo dia de existência. ESTÁ SOMENTE NUMA FOLHA DE PAPEL. Nem terrenos, nem edifícios, NEM DINHEIRO.

Me diga: isto não torna a luta mais gostosa?

Vamos seguir a trilha do velho Felipe e do velho Rosado e vamos ganhar a batalha para Mossoró se Deus quiser.

Vamos estudar também em que condições você poderia vir para a primeira semana e depois como DIRETOR DA ESCOLA”.

Em 1967, coisa de 16 a 18 de abril, Dix-huit voltava a Mossoró pela primeira vez como presidente do Inda, perguntei-lhe: – Você não topava realizar o sonho de Ulrich Graf e fundar em Mossoró uma escola de agronomia?

Dix-huit respondeu-me: – “Mas como pode o Inda criar uma escola de agronomia?”

Lá pelo dia 18 de abril já tínhamos encontrado uma fórmula: a prefeitura criaria a escola de agronomia e o Inda lhe repassaria a totalidade dos recursos até atingir uma certa etapa.

Pedi a João Batista Cascudo Rodrigues que redigisse o decreto.

Eis o decreto 3/67, de 18 de abril de 1967.

Dix-huit cumpriu o prometido e a ESAM, sigla que escolhi para a Escola Superior de Agricultura de Mossoró, pensando na minha querida ESAL, Escola Superior de Agricultura de Lavras, começou a nascer no chão turoniano de Mossoró a 3 julho de 1967.

Durante 172 noites assisti a construção do primeiro edifício, aquele que seria inaugurado pelo presidente Artur da Costa e Silva e receberia depois a denominação de Edifício Dom Gentil Barreto, o santo de Mossoró.

O maior serviço de Dix-huit à ESAM foi porém a federalização da escola, conseguida pelo seu prestígio junto ao governo Costa e Silva.

As outras escolas de agronomia do país levaram 10, 20, 30, 40, 70 anos para serem federalizadas.

Dix-huit com seu prestígio conseguiu este milagre em dois anos.

Depois da federalização, houve um certo período em que a ESAM começou a integrar o orçamento da República.

Havia um atraso no pagamento de cinco meses.

A ESAM devia 800 mil cruzeiros e aí começa a presença do deputado Vingt que me acompanhou dezenas de vezes junto aos pleitos que levava aos diversos ministérios.

Vingt procurou um alto funcionário do MEC para conseguir aqueles 800 mil cruzeiros.

De início o funcionário lhe disse: – “Esta escola não existe”.

A argumentação de Vingt foi tão convincente que o funcionário acabou por confessar ao fim da entrevista: – “Esta escola começou a existir hoje”.

Muitas vezes me perguntam: – “Quem fez a ESAM, Vingt-un ou Dix-huit”.

Respondo: Dezoito mais vinte e um.

Sem a parceria de Dix-huit a ESAM continuaria um sonho vantaneano, sem a teimosia e a persistência de Vingt-un, a ESAM não existiria.”

 

*Discurso Pronunciado em 12 de Agosto de 2005 Durante as Comemorações da Transformação da ESAM em UFERSA

23 de setembro de 2014. Visualizações: 1391. Última modificação: 23/09/2014 19:54:00